Mulheres com Lata

Mulheres com Lata

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2025
Mulheres com Lata é um documentário dedicado às mulheres conserveiras da Calheta de São Jorge e ao seu papel pioneiro na indústria conserveira açoriana e na transformação social da comunidade. A partir da antiga fábrica Marie d’Anjou, atual Museu Francisco de Lacerda, o filme dá voz às mulheres que trabalharam na indústria da conserva, revelando memórias de esforço, resistência, independência e emancipação feminina numa época marcada por profundas desigualdades sociais. Através de testemunhos, arquivos e da memória coletiva da vila, o documentário procura preservar e valorizar o contributo destas mulheres para a economia local, para a história do trabalho feminino nos Açores e para a identidade cultural de São Jorge. Mais do que um registo histórico, Mulheres com Lata é uma homenagem à dignidade, coragem e resiliência de várias gerações de mulheres que ajudaram a transformar a sociedade açoriana.
Duração: 56 min
Formato: HD
Linguagem: PT
Legendagem: EN
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Mulheres com Lata integra os projetos âncora da estratégia de desenvolvimento local da ADELIAÇOR MAR, no âmbito do programa MAR 2030,

Realizador: Sandra Cristina Sousa
Produtor: Comunicar Atitude
Pesquisa: Sandra Cristina Sousa
Imagem e Drone: Flávio Tufino e Mauro Santos Pereira
Grafismo e Motion Graphics: Mauro Santos Pereira
Edição e Pós-Produção: Flávio Tufino
Parceiro: Câmara Municipal da Calheta
Co-financiado: Mar2030 Governo dos Açores Portugal 2030 União Europeia

Participantes e entrevistados:
Operárias(os) Indústria Conserveira: Maria Evelina Vieira Azevedo; Maria Clarinda Ávila Pavão; Maria de Fátima Mendonça; Maria Nazaré Vieira Brasil; Maria Isilda Oliveira Alves; Maria Bernadete Brasil; Maria de Fátima Brasil Ávila; Maria Ângela Casimiro; Maria Noémia Cabral; Hélder Manuel Cabral Pavão; Orlando Alberto da Silva; José Horácio Alves; Alessandra Santos; Cristina Sousa e Marta Silveira
Administração Indústria Conserveira: Rogério Paulo Veiros e Manuela das Dores Santos
Gastrónomo: António Cavaco
Historiador: Vítor Emanuel Tavares Reis

Leitura crítica de Pedro Prista — Mulheres com Lata
(Revista Gray-film, n.º 6, Maio–Agosto 2026)

A leitura crítica de Pedro Prista sobre o documentário Mulheres com Lata propõe uma reflexão profunda sobre a condição das mulheres conserveiras nos Açores, enquadrando o seu percurso num contexto de pobreza, isolamento e ausência de alternativas.

O autor destaca a entrada na fábrica como um momento de rutura significativa: mais do que um simples acesso ao trabalho remunerado, representa uma transformação concreta na vida destas mulheres, permitindo-lhes conquistar uma autonomia até então inexistente. Esta emancipação, porém, surge marcada por uma forte ambiguidade — se, por um lado, abre caminho à independência, por outro, mantém-se ancorada na dureza física do trabalho e na persistência de formas de desigualdade.

Pedro Prista sublinha ainda a ausência de uma consciência política estruturada por parte destas mulheres, apontando antes para uma emancipação vivida no plano material e quotidiano, mais do que no plano ideológico. Paralelamente, identifica uma rutura simbólica relevante: apesar da proximidade ao universo marítimo através do peixe, a fábrica surge como um espaço desligado da comunidade do mar, redefinindo as relações sociais e económicas.

A análise valoriza o documentário pela sua capacidade de evitar leituras simplistas, revelando a complexidade das experiências individuais e coletivas, e afirmando-se como um retrato sensível e rigoroso de um processo de transformação social marcado por tensões, conquistas e permanências.