Mulheres com Lata
Mulheres com Lata integra os projetos âncora da estratégia de desenvolvimento local da ADELIAÇOR MAR, no âmbito do programa MAR 2030,
Realizador: Sandra Cristina Sousa
Produtor: Comunicar Atitude
Pesquisa: Sandra Cristina Sousa
Imagem e Drone: Flávio Tufino e Mauro Santos Pereira
Grafismo e Motion Graphics: Mauro Santos Pereira
Edição e Pós-Produção: Flávio Tufino
Parceiro: Câmara Municipal da Calheta
Co-financiado: Mar2030 Governo dos Açores Portugal 2030 União Europeia
Participantes e entrevistados:
Operárias(os) Indústria Conserveira: Maria Evelina Vieira Azevedo; Maria Clarinda Ávila Pavão; Maria de Fátima Mendonça; Maria Nazaré Vieira Brasil; Maria Isilda Oliveira Alves; Maria Bernadete Brasil; Maria de Fátima Brasil Ávila; Maria Ângela Casimiro; Maria Noémia Cabral; Hélder Manuel Cabral Pavão; Orlando Alberto da Silva; José Horácio Alves; Alessandra Santos; Cristina Sousa e Marta Silveira
Administração Indústria Conserveira: Rogério Paulo Veiros e Manuela das Dores Santos
Gastrónomo: António Cavaco
Historiador: Vítor Emanuel Tavares Reis
Leitura crítica de Pedro Prista — Mulheres com Lata
(Revista Gray-film, n.º 6, Maio–Agosto 2026)
A leitura crítica de Pedro Prista sobre o documentário Mulheres com Lata propõe uma reflexão profunda sobre a condição das mulheres conserveiras nos Açores, enquadrando o seu percurso num contexto de pobreza, isolamento e ausência de alternativas.
O autor destaca a entrada na fábrica como um momento de rutura significativa: mais do que um simples acesso ao trabalho remunerado, representa uma transformação concreta na vida destas mulheres, permitindo-lhes conquistar uma autonomia até então inexistente. Esta emancipação, porém, surge marcada por uma forte ambiguidade — se, por um lado, abre caminho à independência, por outro, mantém-se ancorada na dureza física do trabalho e na persistência de formas de desigualdade.
Pedro Prista sublinha ainda a ausência de uma consciência política estruturada por parte destas mulheres, apontando antes para uma emancipação vivida no plano material e quotidiano, mais do que no plano ideológico. Paralelamente, identifica uma rutura simbólica relevante: apesar da proximidade ao universo marítimo através do peixe, a fábrica surge como um espaço desligado da comunidade do mar, redefinindo as relações sociais e económicas.
A análise valoriza o documentário pela sua capacidade de evitar leituras simplistas, revelando a complexidade das experiências individuais e coletivas, e afirmando-se como um retrato sensível e rigoroso de um processo de transformação social marcado por tensões, conquistas e permanências.